Free JavaScripts provided
by The JavaScript Source

TERAPIA COMUNITÁRIA: Laços de família - I

TERAPIA COMUNITÁRIA

8/07/2006

Laços de família - I






Verdades e Mentiras

Por Carminha Levy
-------------------------------------------
----------------------------------------------
//
Todo núcleo que agrega seres humanos tem seu código de ética pessoal. Talvez as bactérias e amebas também tenham – deixo esta reflexão para os entendidos nessa área e vamos para a nossa: laços de família. Há um inconsciente familiar que é regido por um código específico de cada família. Há famílias, por exemplo, que só saem de férias todos juntos, não importa se o programa é bom para os filhos mais novos ou para os adolescentes. A união não é sagrada, é carcerária. Em outras famílias, este mesmo tópico é completamente livre, cada membro vai para onde quer e muitos pais nem cogitam proteger seus adolescentes de certas companhias e contextos e liberam geral!
//Os mitos familiares são outro determinante do que pode ou não ser feito. Isso vai desde seguir a mesma carreira dos pais ao cultivo de uma sina irrevogável para a “vítima” (filha mais velha ou caçula) que foi destinada a não ter vida afetiva: casar, ter filhos, nem tampouco amar o “homem errado” (e proibido) – tem que cuidar da velhice dos pais! Tais mitos encobrem muitas mentiras, que são “o esqueleto guardado no armário”.
//“Se na sua família existe algum mito, abra a caixa de Pandora e deixe que os males se libertem.”
//
Para que ele não seja aberto, não se fala ou acaba se criando um mito comum (mentira) acerca de um pai ou de uma mãe que abandonou os filhos pequenos e o(a) companheiro(a) sem ter como sobreviver. Isso então se torna um assunto-tabu. E aquelas crianças ficam sem figura paterna ou materna, criando uma tremenda carga psicológica sobre a origem da semente que as gerou e com uma falta de raiz que as leva a não se posicionarem no mundo, escondidas atrás de um véu de “invisibilidade”. Isso as impede de ocupar o lugar que lhes pertence por direito. São legiões de fantasmas que têm vergonha e não sabem de que. Se na sua família existe algo assim, vamos abrir a caixa de Pandora e deixar que nossos males (mentiras) se libertem. Só com o confronto de nossa verdade libertaremos desde uma simples “neurose de estimação” a uma psicose que prende profundamente uma pessoa amada, enredada na negação da sua individualidade. Temos que passar primeiro pela “noite escura da alma”, que é a vergonha de constatar o que realmente aconteceu. A libertação virá através da iluminação da sombra contida no mito, por mais doloroso que seja, e constatar que há um criminoso, ladrão, pérfido psicopata que levou a família a perdas aparentemente irreparáveis.
//Como no mito de Pandora, todos os males foram liberados mas sobrou a Esperança. E é com ela que podemos construir uma nova realidade, centrada na verdade. Há a verdade da força da família que, apesar das mentiras, tem profundos laços de amor. E é desses laços que será feita a grande alquimia de transformar toda esta estrutura doentia – mantida em segredo e guardada como o esqueleto dentro do armário – em força estruturante da personalidade de cada membro atingido por ela. As raízes brotarão do profundo seio misericordioso da Mãe Terra-Madona Negra, alimentando a árvore da vida, que começará a dar os frutos de uma nova ética familiar de participação na vida, que passa a ser o guia nesses tempos difíceis da humanidade.
//E, “se não podemos acabar com os esqueletos escondidos, façamos ao menos com que eles dancem”, com afirmou Bernard Shaw.

//CARMINHA LEVY É ARTETERAPEUTA, PSICÓLOGA JUNGUIANA, MESTRE XAMÂNICA, FUNDADORA E PRESIDENTE DA PAZ GÉIA, ESCOLA DE XAMANISMO.
//