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TERAPIA COMUNITÁRIA

TERAPIA COMUNITÁRIA

8/17/2006

Anote

/////Repasse do Módulo I - Para querm não fez o módulo
/////Facilitador..: Dr. Adalberto / Dra. Líndia
/////Data............: 9 a 10 de Setembro
/////Local...........: Casa da Dra. Líndia, na Raposa.
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/////Repasse do Módulo II - Para quem não fez o módulo
/////Facilitador..: Dr. Adalberto / Dra. Líndia
/////Data............: 11 a 14 de Setembro
/////Local...........: Casa da Dra. Líndia, na Raposa.
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/////Complementação do Módulo Drogatização - Para todos
/////Facilitador..: Dr. Ruy Palhano
/////Data............: 15 de Setembro
/////Local...........: Casa da Dra. Líndia, na Raposa.

Entrar na casa do Zé, um testemunho e um convite

////////////////////////////////////////////////////////////////////Maria Rita Seixas

//Eu tinha tudo para detestar o Curso de Terapia Comunitária que estava fazendo com Adalberto Barreto, durante minhas férias. Dada as circunstâncias, o cursava principalmente por solicitação do meu trabalho. Neste período, alguém muito querido da minha família apareceu com um problema sério de doença e me queria por perto, mas eu estava em um lugar internada (assim eu me sentia) sem poder dar-lhe todo o apoio de que precisava. Estava dividida, e isto me doía. Naquele momento, nenhuma pessoa do meu grupo de trabalho pôde estar ali assistindo o evento, e eu precisava muito de alguém junto a mim. Queria cuidar da minha netinha que havia nascido há um mês e precisava da avó. Voltei várias vezes para São Paulo, mas retornei para Itapecerica da Serra, onde estávamos reunidos . Por quê?

//Porque algo que eu recebia ali me fazia voltar. O que seria? Teorias inovadoras? Não. Conforto e afeto de amigos novos e antigos que lá encontrei? Isto ajudou bastante, agradeço a todos, mas não era o que me fazia voltar.

//Na hora não soube explicar. Só agora, à distância, é que comecei a relembrar; justamente quando comecei a escrever este artigo sobre Terapia Comunitária por solicitação da APTF, foi que me dei conta de que “entrara na casa do Zé” e não percebera.

//Este não é apenas um refrão com que se iniciam as terapias comunitárias. É a metáfora que nos assegura de que participamos de uma nova forma de se trabalhar “o sofrimento em comunidade” ao mesmo tempo em que tratamo-nos ao dela tratarmos. É o aprendizado de uma metodologia simples na sua essência, mas com a força das coisas inspiradas na espontaneidade do amor e do respeito ao próximo, o que permite a “cura” por meio do compartilhar.

//Ao nos dispormos a trabalhar a “dor” de alguém, estamos nos propondo a cuidar de sua falta de amor. Isto só será possível se, de alguma forma, conseguirmos provê-la de amor e melhorarmos a qualidade de sua vida afetiva. Esta tarefa que, à primeira vista, se assegura como impossível é o “ovo de Colombo” que este método de trabalho consegue por de pé. Adalberto conseguiu descobrir a fórmula por meio do redimensionamento do compartilhar em grupo, o que permite a cada comunidade resgatar o que ela tem de mais saudável.

//Como Moreno, Adalberto trabalha com a saúde e não com a doença. Quando escolhemos alguém de um grupo para trabalhar a sua “dor”, estamos nos irmanando com ele, fazendo-o protagonista de nossa dor, dizendo-lhe que sofremos com algo parecido – “só trabalhamos no outro, aquilo que tem a ver conosco” (Adalberto). Quando alguém explicita no grupo como saiu ou como está tentando sair de problema semelhante, está ofertando o que de melhor tem de si. Está amando o outro, comunicando-lhe suas experiências positivas, não para diminui-lo ou criticá-lo, mas para propor-lhe um novo caminho de saída para sua dor, dando-lhe a esperança que traz consigo a força de luta. Ao fazer isto, por outro lado, recebe o apoio da comunidade que também o fortalece para perseverar. Quando o coordenador, no final, pede ao grupo que diga o que cada um está levando para si neste dia, está solicitando que revele à comunidade sua capacidade de cura, fazendo-na cada vez mais crer em si própria. Assim, trabalhando com a capacidade de amor, fé, esperança e perseverança da comunidade (enfocando suas forças positivas) é que a tratamos por meio da terapia comunitária: substituímos a dor (doença) pela saúde (amor). Foi justamente isto que me fez ficar “na casa do Zé”.

//Enquanto trabalhávamos nas comunidades que apresentavam a nós “o seu sofrimento” e nas vivências em que o grupo de terapeutas trazia “o nosso amor”, eu ia sem querer revendo “a minha dor”. Encantava-me uma metodologia capaz de devolver às comunidades sofridas como são as nossas, a esperança de uma nova qualidade de vida, simplesmente porque sentiam que, em algum momento, alguém as amou e as acolheu.

//Dirão alguns: utopia, entusiasmo de momento. Minuchin, porém, já afirmou há muito tempo que as mudanças produzidas em sistemas se conservam na ausência do terapeuta pela própria característica de circularidade dos mesmos. Ora, não são as comunidades sistemas sociais?

//É impossível falar mais do curso, pois falar de amor só os poetas sabem. A nós cabe apenas vivê-lo na Casa do Zé. Iniciei compartilhando com vocês uma vivência minha e quero terminar fazendo-lhes um convite, isto porque, quem vive o bom, quer dividir com os amigos. Mas, só o aceitem se vocês forem capazes de encarar sua própria dor e, dividindo-a com seus companhei-ros, deixar sair tudo de bom que trazem dentro de si e receber em troca o amor retribuído: “Entrem conosco na casa do Zé”.

*Psicodramatista; terapeuta de casal adulto e família; doutora em Psicologia pela PUC/SP, coordenadora do Programa de Terapia Familiar - PROTEF da UNIFESP; ex-presidente e fundadora da APTF

Texto Extraído do site da Associação Paulista de Terapia Familiar

www.aptf.org.br

8/15/2006

DAS QUATROS VARAS ÀS QUATRO VOZES

Adriana Carbone (*)

//Nutridos pelo II Módulo da Terapia Comunitária, desta vez realizado aqui em São Paulo – sem as brisas do Morro Branco e também longe do “Projeto Quatro Varas”, mas com o mesmo alimento da alma e do corpo: a terapia de Adalberto e os cuidados de Agatah –, retomamos na Comunidade do Jaguaré nossos trabalhos para 2003. No reencontro com meus companheiros de jornada estava o querido Padre Roberto, que abriu suas portas e o coração para o trabalho da APTF, e vem dia-a-dia nos incentivando e facilitando nossa inserção na favela e nas creches. Sob o olhar de Adalberto Barreto, assim como o de Fritjof Capra eu, Arlete, Márcia e Silvia estaríamos participando da construção de uma teia, mas, ao nos lembrarmos das varas é como se nos sentíssemos parte, as quatro, do “Cerco”. Isto remete à imagem da “Pesca do Cerco”, forma de pescar artesanal com varas alinhavadas, herança cultural indígena, na qual os mais sábios ensinam os mais jovens a construir o cerco de bambus para a pesca de peixes, e “ intergeracionalmente” transmitem seus saberes, permitindo que a comunidade de pescadores se nutra e sobreviva. Da mesma forma, esta imagem me remete ao trabalho da APTF, realizado desde 2001, e na parceria com SAN-Jaguaré.

//No início de meu trabalho nas creches, realizei co-construções de “Cercos”, em parceria com as diretoras Sueli, Dores e Regina, a partir dos “grupos de multifamílias” nos quais havia a conversação sobre problemas do cotidiano, da vida em família e na comunidade. Foram realizados encontros mensais em cada uma das creches às terças-feiras, às 15:00 hs, totalizando 40 conversações durante o ano de 2002. Puxa! Foram muitos os peixes que ficaram no cerco de bambu... Peixes que propiciaram a definição dos temas, propostos pela própria comunidade e que giraram em torno das questões de discriminação, estereótipos, dependência e co-dependência, mortes e perdas de filhos, roubo nas próprias creches, problemas de moradia e de enchentes, desemprego e falta de perspectiva, violência doméstica, criação e educação dos filhos, dificuldades no relacionamento conjugal e traição. Como Bergman, me senti “pescando barracudas” e, para tanto, nós – diretores, funcio-nários das creches e os moradores do Jaguaré – construímos juntos o “Cerco de bambus”, alinhavando-o, nó a nó, de modo a permitir o espaço de escuta destes problemas cotidianos tão sofridos. Nos encontros, contávamos com a presença de 40 a 50 pessoas que compartilhavam sua dor e sofrimento, na expectativa de serem ajudados ou apenas ouvidos.

//Este Cerco – Comunidade Jaguaré ampliou-se com a presença de pessoas do REMIS – Rede Multidiscilplinar Interativa de Saúde (voluntários do Colégio Santa Cruz), como a Dra. Débora Mainardi que abordou o cuidado que os pais e os profissionais devem ter com a alimentação e nutrição das crianças da creche. O projeto Morungaba, sob coordenação de Renata Neves, apresentou o trabalho sobre exclusão social e uma proposta de aproximação das crianças da creche com as crianças do colégio Santa Cruz. Em nossos encontros comunitários, contamos também com a presença de membros da Prefeitura do Município de São Paulo para discutirmos propostas de urbanização e de como se lidar com as enchentes. Todos estes temas foram transformados em motes de conversação para os membros da comunidade, com a proposta de se otimizar os recursos e as competências das pessoas, resgatando o “saber fruto da vivência”, de modo a deixar o saber técnico e científico à margem das propostas de resolução de conflitos no âmbito da realidade da favela.

//O trabalho de grupo de multifamílias, na perspectiva da prática comunitária, proposta compartilhada por Adalberto Barreto, continuará em 2003 e já conta com novos membros sócios da APTF como parceiros: Arlete Dall’Aqua, Márcia Volpone e Silvia van Enck Meira. Profissionais estas que foram responsáveis pelos atendimentos das famílias nas creches Santa Luzia e Vila Nova Jaguaré, realizando mais de 100 plantões de escuta às famílias e terapias familiares no ano de 2002.

//Do saber científico ao saber popular, continuamos co-construindo Cercos e pescando barracudas para o convívio em comunidade que, conforme nos lembra Sawaia, significa todas as formas de relacionamento caracterizado por um grau de intimidade pessoal, profundeza emocional, engajamento moral e conti-nuado no tempo. A comunidade encontra fundamento no homem visto em sua totalidade, e não neste ou naquele papel que possa desempenhar na ordem social. A comunidade é a fusão do sentimento e do pensamento, da tradição e da ligação intencional, da participação e da volição. Assim estamos no Pró-comunidade, um projeto da APTF.

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(*)Adriana Carbone

· Psicóloga, terapeuta de família, professora universitária e membro do PROTEF/UNIFESP

Texto extraído do site da Associação Paulista de Terapia Familiar – APTF

www.aptf.org.br

8/13/2006

Terapia Comunitária - um contexto de fortalecimento de indivíduos, famílias e redes

Marilene Grandesso / 2003

/////O trabalho como terapeuta e supervisora no atendimento de pessoas carentes de recursos faz parte de minha formação como psicóloga e da minha identidade como a terapeuta e pessoa que sou hoje. Profissionalmente, no campo da clínica social de atenção às pessoas carentes, iniciei na clínica escola da então Faculdades Objetivo há 26 anos atrás, no atendimento à criança num modelo triádico que incluía também seus pais. Diferentemente do que acontece hoje em que boa parte da clientela vem da classe média, naquele tempo a população que procurava as clínicas escolas era de baixíssimo poder aquisitivo, muitos não tendo sequer condições financeiras para se locomover até a clínica. Esta experiência, fundamental para ampliar minha formação acadêmica, foi minha porta de entrada para a Terapia Familiar Sistêmica, na década de 80, o que constituiu uma mudança paradigmática, ditando um novo modelo de atenção aos dilemas e dramas geradores de sofrimento. Embora nestes 28 anos atuando como psicoterapeuta eu tenha sempre me dedicado à prática privada, considero que o trabalho com populações de baixa renda tem sido fundamental para a minha identidade como terapeuta, ampliando minha maneira de olhar, escutar, sentir e agir no fazer terapêutico. O psicologismo de minha formação acadêmica pôde ser ampliado no contato com as famílias carentes, permitindo-me compreender que muitos dos seus problemas e condições de sofrimento decorrem dos contextos de desigualdade social, discriminação e preconceitos, pobreza, e falta de acesso aos recursos disponíveis de atenção à saúde, educação e contextos de promoção do bem estar. Da mesma forma, pude me defrontar com a imensa capacidade de gerar recursos de muitos indivíduos e famílias em condições aviltantes de sofrimento, quase que podendo tirar leite de pedras, permitindo-me acreditar sempre na imensa capacidade do ser humano, dadas as condições de atenção e credibilidade no seu potencial, de se transformar e transformar seu entorno, podendo ser feliz com pouco e seguir sua trajetória de busca de um lugar ao sol e de maior respeito e dignidade.

/////Contudo, meu encontro com a Terapia Comunitária, nos moldes propostos por Adalberto Barreto, do qual vou falar aqui é recente, de modo que me considero ainda uma aprendiz apaixonada. Desse lugar que me encontro, no contato com as comunidades com as quais tenho trabalhado, descubro, me encanto e me transformo. Eu gostaria de poder colocar em palavras a riqueza e profundidade que tem sido essa experiência no sentido de amplificar minha velha e conhecida crença na possibilidade de criação, construção e transformação do sofrimento em aprendizado e dos recursos que pessoas em condições de extrema precariedade material e intenso sofrimento podem gerar quando seu potencial e suas competências são reconhecidos e legitimados e sua auto-estima fortalecida. Qualquer terapeuta que queira compreender o significado vivencial do que costumamos chamar de resiliência, tem nas comunidades carentes e nos encontros da Terapia Comunitária um contexto por excelência.

/////A Terapia Comunitária da qual estou falando aqui, trata-se de um modelo proposto por Adalberto Barreto (in press) e denominado Terapia Comunitária Sistêmica Integrativa. O que apresento a seguir, configura-se não como uma descrição do modelo, mas dos aspectos que, no meu entender, caracterizam o seu diferencial enquanto proposta de atendimento a indivíduos, famílias e comunidades. Sucintamente falando, contudo, trata-se de um modelo que promove a formação de rede social e a troca de experiências entre os participantes. Tendo o sofrimento humano como seu contexto definidor, trabalha no sentido de ressaltar competências, fortalecer a auto-estima e o empoderamento. São muitos os méritos deste modelo, segundo vejo. Dentre eles vou destacar alguns:

Sua simplicidade

/////A Terapia Comunitária apresenta-se como um modelo estruturado em etapas – Acolhimento / Escolha do Tema / Contextualização / Problematização / Rituais de Agregação e Fechamento / Avaliação. Caracteriza-se como um modelo para o qual pode ser capacitado um amplo universo de pessoas, inclusive líderes comunitários, mesmo não tendo um curso superior na área de saúde.

/////Contudo, não se trata de um modelo de uso indiscriminado, requerendo capacitação e supervisão. Ser simples não quer dizer ser simplista. Existe todo um embasamento teórico e, especialmente para quem não tem uma prática anterior como terapeuta, requer uma atenção especial para a prática e manejo de grupos. Fazem parte das tarefas do terapeuta, requerendo uma capacitação - a estruturação da sessão no que diz respeito ao controle do tempo, o processo de questionamento, organização das narrativas que vão surgindo no grupo, a proposição de recursos técnicos de aquecimento e descontração do grupo, a re-significação e reformulações das narrativas, o uso de conotações positivas, e as finalizações. Mais que isto, a condução da sessão pressupõe uma sensibilidade para a escuta e atenção a cada um dos participantes e ao grupo como um sistema organizado numa dinâmica particular. A Terapia Comunitária tem como seu cliente a comunidade e isto pressupõe um saber específico de lidar com sistemas amplos. Portanto, pressupõe capacitação e supervisão.

Sua viabilidade em distintos contextos e condições físicas

/////Este modelo de terapia não requer um contexto especial de salas de terapia tradicionais. Pode ser desenvolvido em qualquer espaço, inclusive aberto como um parque, um clube, uma sala de espera de um ambulatório, uma igreja, uma creche. Num dos grupos aos quais estou ligada, a Terapia Comunitária é conduzida num salão nos fundos de uma igreja onde são feitos os velórios da Comunidade. O mais importante disso é que a Terapia Comunitária pode ser desenvolvida nos lugares em que as pessoas vivem ou freqüentam no seu cotidiano.

Sua aplicabilidade a distintas populações e faixas etárias

/////Pessoas de diferentes níveis sócio-econômicos e culturais e de diferentes faixas etárias podem fazer parte de um mesmo grupo de terapia. Na Comunidade de Santo Elias em Pirituba São Paulo, temos desde adolescentes até pessoas idosas, pessoas de extrema pobreza com outras de bons recursos, populações de distintos contextos étnicos, pacientes psiquiátricos, dentre outros.

/////Além do mais, o modelo pode ser aplicado a populações com diferentes perfis. No nosso curso Terapia Comunitária do Núcleo de Família e Comunidade da PUC (acabamos agora nossa primeira turma de 30 alunos), tivemos a formação de espaços de Terapia Comunitária para uma diversidade de populações e espaços: mulheres com depressão; mulheres vítimas de violência; famílias de pacientes psiquiátricos; familiares e/ou cuidadores de pessoas que têm doença de Huntington.; familiares e funcionários de creches; usuários de Centros Comunitários; e famílias de crianças de escolas municipais; grupos de terceira idade; usuários e funcionários de centros de saúde; grupos de obesidade; grupos de casais; grupos de praticantes de meditação; grupos de caseiros de condomínios; agentes comunitários; funcionários de escola; familiares de portadores de deficiência mental; moradores de favelas e bairros populares, dentre outros.

Sua aplicabilidade e efetividade para grandes grupos

/////A Terapia Comunitária apresenta-se como um modelo terapêutico capaz de atender simultaneamente a um número muito grande de pessoas, configuradas como um grupo aberto. Todos nós que atendemos famílias carentes nas clínicas sociais que oferecem a Terapia Familiar sabemos como a demanda é infinitamente maior do que a nossa capacidade de prestação de serviço. Nos modelos tradicionais de terapia familiar, o número de famílias que conseguimos contemplar é restrito nas nossas clínicas-escolas, resultando numa atenção efetiva para um pequeno número de pessoas e famílias, diante da imensa demanda. Embora efetivo e de grande importância, esse tipo de serviço acaba se apresentando como uma gota d’água num imenso oceano de necessidades.

/////A Terapia Comunitária, além disso, não depende das mesmas pessoas darem uma continuidade sessão por sessão ao processo terapêutico, o que amplia ainda mais seu alcance e viabilidade. Trata-se de um modelo especial de terapia em que cada sessão caracteriza-se como um ato terapêutico com começo, meio e fim para as pessoas presentes na sessão daquele dia. Por outro lado, se pensarmos que boa parte do grupo pode passar a freqüentar mais ou menos assiduamente as sessões de terapia, podemos considerar também que, para a comunidade, a Terapia Comunitária acaba configurando-se como um processo terapêutico desenvolvido a longo do tempo. Temos percebido que a dinâmica do grupo se transforma – a relação entre as pessoas encaminha-se para uma postura de acolhimento, sensibilidade para a escuta e respeito pelo sofrimento do outro, desenvolvimento de uma atitude generosa de dar e também poder receber, aprendendo uns com os outros, criação de uma atmosfera amorosa de legitimação das diferenças e reconhecimento das competências que todas as pessoas têm. A maior escola para todos nós é a vida, e todos temos um saber de dentro, um conhecimento de terceiro tipo, como diz Shotter (1993). Portanto, a Terapia Comunitária favorece a transformação e mudança não só dos indivíduos e suas famílias, mas também das comunidades que constituem.

Favorecer a manutenção das mudanças pela formação, incentivo e promoção de redes sociais solidárias

/////Essa é uma dimensão extremamente profunda nos resultados que tenho visto com a prática da Terapia Comunitária. O clima amoroso e respeitoso que vai constituindo o grupo reconhece cada pessoa como ser humano legítimo e digno, valorizando sua cultura, competências e sabedorias desenvolvidas nos seus contextos de vida. Todos nós sabemos que necessitamos do outro para nos reconhecermos como pessoas competentes e interessantes. Construímos nosso self nas relações. Nossas autobiografias são escritas nas comunidades a que pertencemos. Assim, todo ser humano necessita criar vínculos, relações de amizade e de convivência respeitosa onde o humano na sua dimensão afetiva se manifeste. Paulo Freire na sua proposição de uma pedagogia libertadora ressaltava a importância da vivência solidária nas relações sociais.

/////Como uma configuração em rede não pode ser hierárquica, a Terapia Comunitária favorece o reconhecimento do menos favorecido em qualquer das dimensões possíveis, incluindo a pobreza , a falta de instrução, a deficiência, os distintos credos, etnias e preferências sexuais, todos reconhecidos como iguais no que diz respeito aos seus direitos como cidadãos e seres humanos. Ninguém no grupo é mais que o outro. Ser diferente não quer dizer ser desigual. Portanto, esta é uma terapia a serviço da inclusão social. Duas das regras da Terapia Comunitária cuidam especialmente de manter esse propósito – não é permitido dar conselhos e cada pessoa que fala deve falar da sua própria experiência, usando a primeira pessoa do singular – eu -, não a gente, as pessoas, ou o indefinido. Ninguém sabe o que é melhor para o outro.

/////Na fase da Problematização, quando o terapeuta propõe um mote, organizando um contexto reflexivo e de participação aberta a todos os presentes, cada experiência compartilhada, da mesma forma que nas equipes reflexivas propostas por Tom Andersen (1997), apresenta-se como ofertas em bandejas. Do que foi compartilhado pelos participantes que se conectaram ao mote, pega quem quer e o que quer, conforme ache que o que foi dito lhe sirva e, metaboliza da forma como deseja e pode. Além disso, nas comunidades mais pobres, temos observado que a maioria das pessoas vem de uma condição de migração, deixando seus contextos de pertencimento e legitimação de seus saberes, podendo ter sua auto-estima recuperada na Terapia Comunitária, devido ao contexto de respeito e reconhecimento do grupo. Além do mais, pessoas que vivem dramas familiares dilacerantes e famílias destruídas pela violência, por exemplo, encontram no grupo uma segunda família. As pessoas cuidam umas das outras.

/////Um outro aspecto a ressaltar é que a pobreza constitui-se como uma condição social que estigmatiza e desvaloriza, levando as pessoas a colocarem-se em condição de isolamento e ocultamento de sua situação, dificultando o sentimento de pertencimento (Gandesso, 2003). Pertencer a uma condição de pobreza reverte em desqualificação social (Paugan, 1999). Na comunidade de Santo Elias, em Pirituba-SP, numa das ocasiões em que as condições de pobreza foram feitas tema de nossa conversação, ouvimos relatos contundentes das vivências das pessoas discriminadas pela cor ou pela roupa surrada. Nas histórias compartilhadas ser pobre, ser favelado e ser negro significava ser tomado por ladrão, amigo, informante ou cúmplice de ladrão, drogado, anti-higiênico, colocado sob suspeita sem qualquer razão além de estar no lugar errado na hora errada... Portanto, pertencer a uma rede que legitima e valoriza cada pessoa, reconhece suas competências independente de sua origem étnica, aparência, condição social, uma rede solidária que o reconhece pelo nome, em si já cria um contexto de transformação, melhora da auto-estima e resgate da dignidade.

Favorecer o agenciamento e o empoderamento pela criação de um contexto de recuperação da capacidade de alarmar-se e indignar-se diante de sua condição de sofrimento

/////A dor resultante de um sofrimento crônico para muitas pessoas acaba ficando num contexto de transparência – as pessoas vivem tanto dentro dele que nem mais a sentem. Situações aviltantes de existência ficam naturalizadas e banalizadas como se a vida fosse assim mesmo, sustentadas pela crença subjacente de que nada se pode fazer. No contexto da Terapia Comunitária, contudo, muitos só reconhecem seus problemas como problemas, quando escutam outras pessoas se alarmando e se indignando diante de situações parecidas consideradas para elas como problemas para os quais buscam soluções. A escuta do outro favorece uma condição que Adalberto costuma ressaltar “só se reconhece o que já se conhece”. O sofrimento do outro provoca eco e ressonâncias naquele que sofre de dores semelhantes e vive em condições de anestesia. Só nos colocamos espontaneamente em movimento se desejamos sair do nosso lugar e podemos vislumbrar caminhos possíveis.

/////Da mesma forma, ao ouvir as estratégias de enfrentamento que o outro utiliza diante de situações parecidas, ou muitas vezes consideradas pela pessoa como piores que as suas, cada um pode reconhecer as suas próprias competências e recursos, muitas vezes nem percebidos como tal. Olhar para a própria experiência de forma reflexiva permite transformar parte do vivido em ferramentas para determinados fins, disponíveis para uso deliberado, consciente e responsável. Assim, a Terapia Comunitária favorece a autonomia ao criar um contexto reflexivo de reconhecimento de competências, instrumentando cada pessoa a tomar seu destino nas suas próprias mãos.

Levar a comunidade à terapia

/////Para terminar, gostaria de ressaltar dois outros aspectos que considero diferenciais deste modelo de terapia. Um deles, aparentemente óbvio e sutil, é que a Terapia Comunitária não se define apenas como uma terapia do indivíduo num contexto da comunidade, mas também e, principalmente, como um contexto de terapia para uma comunidade a partir de problema do indivíduo.

/////Nesse sentido, o sucesso da sessão como um contexto gerador de mudanças, depende em grande parte, no meu entender, do mote escolhido pelo terapeuta com o qual cada participante da comunidade vai se conectar e refletir sobre suas experiências, rever seus problemas, identificar seus recursos e competências e compartilhar suas vivências num grande momento de troca respeitosa. O mote consiste num tema derivado da contextualização do problema escolhido pelo grupo para ser trabalhado naquela sessão de Terapia Comunitária. Essa é uma função do terapeuta e depende de sua sensibilidade para escuta do grupo quando da justificativa da escolha do problema a ser trabalhado, dentre os muitos trazidos pelos participantes do dia. Se o mote não for mobilizador, as pessoas não se conectam.

Promover o desenvolvimento de resiliência

/////Um último aspecto a considerar é que a Terapia Comunitária não é um contexto para resolver problemas, mas para desenvolver a resiliência. A resiliência está sendo compreendida aqui como aquela capacidade de transformar sofrimento em aprendizado, em transformar os desafios em contextos de crescimento e desenvolvimento de autonomia. Temos ouvido, freqüentemente, as pessoas dizerem – “Os problemas lá em casa continuam os mesmos, mas eu não sou mais a mesma pessoa. Minha vida mudou”. Esse aspecto, embora sutil, pode parecer estranho para alguns e muito óbvio para outros. Comunidades carentes pedem por soluções concretas para seus problemas. Isto tem levado muitas prestações de serviço à comunidade a desenvolverem um trabalho de cunho assistencialista, mobilizados pelas tentativas de melhora da qualidade de vida das pessoas. No entanto, a grande mudança para os indivíduos, no meu entender, é a libertação de seu self da tirania dos problemas, que oprimem, reprimem e encolhem as pessoas, restringindo sua crença na vida e na possibilidade de seu amanhã ser de fato um novo dia em que seu valor e sua dignidade possam ser reconhecidos.


//////////////// “É na minha disponibilidade permanente à vida que
////////////////me entrego de corpo inteiro, pensar crítico, emoção,
////////////////curiosidade, desejo, que vou aprendendo a ser eu mesmo
////////////////em minha relação com o contrário de mim. E
////////////////quanto mais me dou à experiência de lidar sem
////////////////medo, sem preconceito, com as diferenças, tanto
////////////////melhor me conheço e construo meu perfil”.
////////////////Paulo Freire, 1996: 152.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDERSEN, T. (1997). Processos reflexivos. Rio de Janeiro: Noos/ITF

BARRETO, A. (in press). Terapia comunitária passo a passo.

FREIRE. P. (1996). Pedagogia da autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

GRANDESSO, M. A. (2003). Família e comunidade: textos e contextos de pertencimento. Palestra apresentada no I Encontro de Ex-alunos do NUFAC – Núcleo de Família e Comunidade da PUC-SP em São Paulo em abril de 2003.

PAUGAN, S. (1999). O enfraquecimento e a ruptura dos vínculos sociais – uma dimensão essencial do processo de desqualificação social. In B. SAWAIA (2002). as artimanhas da exclusão: análise psicossocial e ética da desigualdade social. Petrópolis: Vozes, 4ª Edição.

SHOTTER, J. (1993). Cultural politics of everyday life: social constructionism, rethoric, and knowing of the third kind. Buckinghan: Open University Press.

8/12/2006

Social não é gasto nem custo, é investimento

//As ações sociais representam um gasto ou investimento para o país? Dependendo da resposta, essas ações podem se tornar um mero ônus para a sociedade - conhecido entre os economistas tradicionais como um instrumento de “recompensa aos perdedores”, ou podem significar a própria via para o desenvolvimento sustentável. Faz-se então necessária uma análise profunda sobre essa questão para examinar a capacidade das atividades sociais de gerar riqueza. Essa análise deve ser desenvolvida sem impulsos ideológicos e fundamentada em bases empíricas de verificação do seu impacto para o crescimento econômico e diminuição das desigualdades sociais. Dessa forma, este documento traz algumas reflexões sobre as contribuições dos investimentos sociais para a melhoria das condições econômicas do país, e apresenta alguns exemplos sobre como o investimento social resulta em lucros econômicos tangíveis para toda a sociedade.

De Custo para Investimento

//É comum observar estudos que tentam demonstrar formas mais eficientes de utilização dos gastos ou custos sociais. Ambos são vistos como despesas que devem ser repassadas a sociedade em razão de emergências específicas ou da necessidade de pagamento de dívidas sociais, como no caso da institucionalização de crianças identificadas como “de rua” ou “carentes”. Investimento, no entanto, não combina com gastos emergenciais, por essa razão cria-se a imagem que essas atividades não produzem riquezas econômicas, mas somente dispêndios financeiros.

//Como em qualquer investimento, um retorno tangível deve ser demonstrado para que os benefícios resultantes de um projeto sejam superiores aos seus custos fixos e variáveis. A demonstração de resultados positivos contribui para que futuros investimentos sejam mobilizados para um determinado empreendimento. No caso da área social, há várias maneiras de demonstrar os benefícios tangíveis de um investimento, principalmente quando este é feito de forma planejada. Um exemplo do retorno do investimento social para a economia é o aumento da produtividade em relação aos anos de escolaridade. Com a melhoria do nível de escolaridade, como demonstrado na tabela a seguir, o nível de produtividade econômica cresce consideravelmente. Crianças que efetivamente passam de série escolar serão muito mais produtivas e a conseqüência disto será a geração de riquezas econômicas.

//As limitações das ciências econômicas e sociais em demonstrar esses resultados contribuem para o entendimento das razões do porquê as ações sociais têm sido consideradas como mera despesa. Ao contrário, estes indicadores revelam que o investimento social é a base fundamental para o crescimento econômico de um país e a diminuição das suas diferenças sócio-econômicas. Muitos outros indicadores podem ser identificados para demonstrar o impacto dos investimentos sociais na economia. Com a utilização de algumas técnicas de validação e avaliação de investimentos econômicos podemos chegar à conclusão de que não existe recurso melhor aplicado do que aquele destinado às atividades sociais de apoio primário ou comunitário.


Social: O Melhor Investimento do Mercado

//Há crescentes evidências sobre a relação direta entre o investimento social e crescimento econômico. Por exemplo, em um levantamento dos investimentos realizados a “fundo perdido” pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para crianças em situação de vulnerabilidade no Rio de Janeiro, resultados surpreendentes foram encontrados em relação a razão custo X benefício desses empreendimentos sociais. Subdividido de acordo com uma segmentação baseada em capital social : a) existente; b) parcialmente existente; e c) não existente, o estudo demonstrou que para cada R$1,00 investido em projetos com crianças com capital social “existente”, o retorno econômico é, em média, de R$9,31. Do outro lado, embora menor, investimentos em projetos com crianças com capital social “não existente” também apresentam um saldo positivo. Para cada R$1,00 investido, o benefício econômico é de R$4,75.

//Em um outro estudo semelhante, em relação aos investimentos feitos pela Secretaria Municipal do Desenvolvimento Social do Rio de Janeiro (SMDS/RJ), a razão custo x benefício dos projetos com adolescentes foi bastante alta. Por exemplo, para o projeto conhecido como “Rio Jovem”, onde se busca um reforço do capital social desses jovens, o nível de retorno do investimento chegava a R$47,00 por R$1,00 investido. Isto embora, outros projetos com “crianças de rua” e “carentes” (ex. Volta prá Casa), tenham obtido um resultado muito inferior, retornando apenas R$1,14 por R$1,00 investido.

//Assim, conclui-se que investimentos realizados em projetos sociais direcionados a populações com menor presença de capital social são os que oferecem as menores taxas de retorno. Esta é a conclusão, também, de diversos estudos sobre as taxas de recuperação de centros e instituições voltados para populações em situação de extrema pobreza e vulnerabilidade social. De qualquer forma, os investimentos sociais primários na comunidade trazem retornos representativos para a economia; sendo que em alguns casos, superam até mesmo as taxas dos melhores investimentos oferecidos pelo mercado de ações e financeiro, tanto no Brasil quanto no mundo.


Mudança do Paradigma e Futuras Perspectivas

//O estudo de custo x benefício de investimentos sociais demonstra a importância de modificar o atual paradigma de custo e gasto social para um novo paradigma de investimentos. Diversas ações sociais geram enormes riquezas econômicas, principalmente aquelas que não visam ao resgate de dívidas sociais, como no caso de projetos com crianças em suas próprias comunidades. A existência e demonstração desses retornos têm um efeito direto para o desenvolvimento de novas políticas públicas.

//Será, talvez, necessário modificar ainda as atuais análises informais e espontâneas sobre esses investimentos para colocar a área social em seu verdadeiro patamar de prioridade nacional. No setor da educação, a avaliação do retorno gerado com a ampliação da cobertura da rede de ensino pode representar a principal justificativa para maiores investimentos em educação primária. Essa avaliação poderá incluir indicadores de resultado, como por exemplo a produtividade futura de crianças e adolescentes no mercado de trabalho. Esses indicadores poderão ser utilizados para facilitar o reconhecimento e divulgação do crescimento econômico obtido a partir dos investimento realizados no setor. Isto vale, também, para outros setores sociais, como saúde e desenvolvimento social. Neste caso, as políticas públicas poderão passar por uma avaliação do potencial de geração de riqueza econômica e social, contribuindo para a demonstração da sua função em prol do desenvolvimento sustentável do país.

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//Fonte.: Portal Responsabilidade Social - http://www.responsabilidadesocial.com/
//Autor: Miguel Fontes
////////////Doutorando em Saúde Internacional e Sistemas de Saúde e Mestre em Desenvolvimento
////////////Econômico, Político e Social da América Latina e Caribe, pela Johns Hopkins University,
////////////Washington/EUA. É Diretor da John Snow Brasil Consultoria
//////////// (
www.johnsnow.com.br), especializada em gestão social.


8/09/2006

Fotos do Módulo III - Turma 2




Formulários - Entrevistas

//Estas entrevistas lhe ajudarão a acompanhar o desenvolvimento da satisfação do participante de sua Roda de Terapia.
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//METODOLOGIA:
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//ENTREVISTA ALFA: Aplique a qualquer momento, escolha um ou mais participantes assíduos. Faça-o sempre antes de iniciar os trabalhos;
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//ENTREVISTA BETA: Aplique sempre entre 30 a 45 dias após a aplicação da ALFA, para aqueles que responderam a primeira;
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//ENTREVISTA DELTA: Aplique sempre entre 30 a 45 dias após a aplicação da BETA, para quem respondeu a ALFA e a BETA.
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//Para visualizar, clique na imagem e imprima:






Formulários para Roda de Terapia

Estes são os formulários básicos que você deverá ter em mãos antes de iniciar a
Roda de Terapia






8/07/2006

Faz bem ou faz mal? - 01

saiba o que é lenda e o que é verdade
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alumínio
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//Estudos apontam que, em grandes quantidades, o elemento pode trazer malefícios à saúde, saiba o que fazer para se proteger.
//MESMO SEM VOCÊ SABER, o alumínio está presente na sua vida. Seja na água, nos aperitivos da reunião com os amigos, naquela cervejinha do fim-de-semana, em determinados produtos de higiene pessoal ou nas panelas e utensílios domésticos. Enfim, são muitas as suas aplicações e, por causa disso, esse material passou a ser analisado e pesquisado por cientistas interessados em saber se ele poderia ou não trazer malefícios ao homem. Os principais estudos associaram o metal ao mal de Alzheimer. Mas há também indícios de que ele seja um dos desencadeadores de câncer e de inflamações no corpo. No entanto, até o momento, nada foi comprovado. O motivo? Apenas uma minúscula fração do que ingerimos de alumínio é absorvida pelo organismo, o restante é expelido: “Faz sentido pensarmos que, por ser um elemento tóxico e um metal pesado, o alumínio possa prejudicar a saúde. Porém, o consumo habitual não permite a ingestão de quantidades preocupantes do elemento”, explica a nutricionista da Unifesp, Cibele Crispim.
// Mesmo que os perigos não sejam alarmantes, existem medidas simples que podem ser adotadas pelos mais cuidadosos e preocupados. Afinal, já prega o antigo ditado: “Melhor prevenir do que remediar”, não é mesmo? A especialista concorda: “Não podemos tomar como verdades absolutas estudos que não foram conclusivos, no entanto, é preciso pensar no equilíbrio. Evitar excessos é muito importante, sobretudo no caso da absorção de alumínio”, pondera. Confira nossas dicas no box! Sua saúde agradece!
//Evitar excessos é muito importante, sobretudo no caso da absorção de alumínio
//- a água fervente junto com o sal fazem com que o alumínio das panelas passe para o alimento. Por isso, quando for preparar o macarrão, prefira as panelas de aço inoxidável.

/- os alimentos ácidos também facilitam a transmissão do elemento para a comida. Por isso, evite usar o papel alumínio para embrulhar tomates e maçãs, por exemplo.

/- evite os desodorantes em aerossol que contêm o metal. Eles podem ser inalados e, ainda, causar reações alérgicas em algumas pessoas
/- medicamentos que contêm alumínio não devem ser ingeridos com bebidas ácidas, como o suco de laranja
/- consuma com moderação os alimentos que levam o metal. Exemplos: fermentos, alguns queijos ralados e sal de cozinha.

Compaixão é se colocar no lugar do outro

//Você conhece a história do lobo astuto? Há muito estava exausto de comer folhas e troncos das montanhas. Queria carne tenra, fresca. Mas os pastores daquela região eram muito espertos, tinham armas de fogo e jamais deixariam um lobo se aproximar. Pensou então em um plano perfeito: disfarçar-se de ovelha para despercebidamente atacar. Camuflado na lã, enganou facilmente o pastor e os animais. E, para que tudo fosse como sonhou, passou o dia seguindo o rebanho pelas montanhas. Enquanto andava, tinha o pensamento longe na dificuldade de ser carnívoro naquele região, no quanto a forçada dieta o estava deixando enfraquecido e doente.
//Nem viu chegar a noite. Logo nas primeiras estrelas notou que estava exausto com as pernas doendo terrivelmente. Decidiu então deixar o ataque para a manhã seguinte. Antes de pegar no sono viu que, mesmo depois de um dia inteiro de trabalho, as ovelhas precisavam se revezar durante a noite em uma vigília que as protegeria de ataques dos lobos. Ouviu histórias terríveis sobre os séculos e séculos em que as ovelhas fugiam dos lobos, sempre com medo, sempre assustadas, nunca andando de coração limpo atrás do seu pastor. O lobo imaginou-se naquela situação. Pensou no sofrimento que seria aquele eterno temor. Antes de amanhecer despiu-se do disfarce e foi para casa sem atacar nenhuma ovelha. E percebeu que raízes e folhas podiam ter outro sabor: liberdade
//"sentir compaixão pelo próximo acaba resultando em um coração forte, pronto para enfrentar qualquer mar bravio".
//Essa historinha antiga é um dos meus exemplos preferidos de compaixão. O lobo estava tão preocupado com os próprios problemas que todo o resto a sua volta parecia não existir ou pelo menos não ter importância alguma. Mas a partir do momento em que, mesmo que pelos motivos errados, teve a chance de estar na pele do outro, notou a si mesmo. E foi embora mais respeitoso da própria história. E sem fazer mal algum.
//Exatamente o que em outras palavras diz Tenzin Gyatso, um senhor de 70 anos chamado dalai- lama, que hoje é líder máximo do budismo no mundo. Ele acredita que sentir compaixão pelo próximo acaba resultando em um coração forte, pronto para enfrentar qualquer mar bravio. Porque, quando toda nossa atenção está focada apenas em nós mesmos, qualquer problema, por mínimo que seja, ganha uma proporção gigantesca, trazendo medo e desconfiança. Mas a partir do momento em que se pensa também no outro, não só para tentar entendêlo, mas para amar e cuidar, nossa própria vida ganha um novo sentido. A autoconfiança e a coragem resultam em uma força interna e em uma calma reconfortante. Ou nas palavras de dalailama: "compaixão é poder. Cultive-a".
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PRATIQUE:
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Afirmação matinal
//O coração alheio tem o mesmo tamanho do meu.

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//Pergunte a si mesma
//Estou olhando apenas para o meu próprio umbigo?
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Diário noturno
//Descreva o que você tem feito para ajudar outras pessoas.Pondere sobre seus atos.
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Dr. Jiu é médico de formação clássica e professor de medicina tradicional chinesa.
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(Transcrito da revista ESTILO DE VIDA - Edição 34 - Junho/2006

Laços de família - I






Verdades e Mentiras

Por Carminha Levy
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Todo núcleo que agrega seres humanos tem seu código de ética pessoal. Talvez as bactérias e amebas também tenham – deixo esta reflexão para os entendidos nessa área e vamos para a nossa: laços de família. Há um inconsciente familiar que é regido por um código específico de cada família. Há famílias, por exemplo, que só saem de férias todos juntos, não importa se o programa é bom para os filhos mais novos ou para os adolescentes. A união não é sagrada, é carcerária. Em outras famílias, este mesmo tópico é completamente livre, cada membro vai para onde quer e muitos pais nem cogitam proteger seus adolescentes de certas companhias e contextos e liberam geral!
//Os mitos familiares são outro determinante do que pode ou não ser feito. Isso vai desde seguir a mesma carreira dos pais ao cultivo de uma sina irrevogável para a “vítima” (filha mais velha ou caçula) que foi destinada a não ter vida afetiva: casar, ter filhos, nem tampouco amar o “homem errado” (e proibido) – tem que cuidar da velhice dos pais! Tais mitos encobrem muitas mentiras, que são “o esqueleto guardado no armário”.
//“Se na sua família existe algum mito, abra a caixa de Pandora e deixe que os males se libertem.”
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Para que ele não seja aberto, não se fala ou acaba se criando um mito comum (mentira) acerca de um pai ou de uma mãe que abandonou os filhos pequenos e o(a) companheiro(a) sem ter como sobreviver. Isso então se torna um assunto-tabu. E aquelas crianças ficam sem figura paterna ou materna, criando uma tremenda carga psicológica sobre a origem da semente que as gerou e com uma falta de raiz que as leva a não se posicionarem no mundo, escondidas atrás de um véu de “invisibilidade”. Isso as impede de ocupar o lugar que lhes pertence por direito. São legiões de fantasmas que têm vergonha e não sabem de que. Se na sua família existe algo assim, vamos abrir a caixa de Pandora e deixar que nossos males (mentiras) se libertem. Só com o confronto de nossa verdade libertaremos desde uma simples “neurose de estimação” a uma psicose que prende profundamente uma pessoa amada, enredada na negação da sua individualidade. Temos que passar primeiro pela “noite escura da alma”, que é a vergonha de constatar o que realmente aconteceu. A libertação virá através da iluminação da sombra contida no mito, por mais doloroso que seja, e constatar que há um criminoso, ladrão, pérfido psicopata que levou a família a perdas aparentemente irreparáveis.
//Como no mito de Pandora, todos os males foram liberados mas sobrou a Esperança. E é com ela que podemos construir uma nova realidade, centrada na verdade. Há a verdade da força da família que, apesar das mentiras, tem profundos laços de amor. E é desses laços que será feita a grande alquimia de transformar toda esta estrutura doentia – mantida em segredo e guardada como o esqueleto dentro do armário – em força estruturante da personalidade de cada membro atingido por ela. As raízes brotarão do profundo seio misericordioso da Mãe Terra-Madona Negra, alimentando a árvore da vida, que começará a dar os frutos de uma nova ética familiar de participação na vida, que passa a ser o guia nesses tempos difíceis da humanidade.
//E, “se não podemos acabar com os esqueletos escondidos, façamos ao menos com que eles dancem”, com afirmou Bernard Shaw.

//CARMINHA LEVY É ARTETERAPEUTA, PSICÓLOGA JUNGUIANA, MESTRE XAMÂNICA, FUNDADORA E PRESIDENTE DA PAZ GÉIA, ESCOLA DE XAMANISMO.
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Conhecer os chakras me tornou alguém melhor "

//Aida Pitanga, 41 anos, conseguiu desatar seus "nós" de energia para viver mais feliz.
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//"MINHA EXPERIÊNCIA com o estudo dos chakras começou quando parei por um momento e me perguntei: 'Quem sou eu?' Minha carteira de identidade havia sido roubada junto com outros pertences, não achava meu título de eleitora, e minha carta de motorista perdera a validade. Precisava buscar o meu poder interno e saber o que estava errado.
//Com a prática da ioga, consegui trabalhar bastante o corpo físico. As posturas (ásanas) permitiram que alcançasse uma fluidez que não possuía. Eu era uma pessoa muito contida, racional. No entanto, cada vez que você faz um ásana, já está influenciando um determinado chakra. Todas as manifestações físicas estão ligadas ao nosso lado emocional que, por sua vez, está relacionado ao energético. Já era instrutora de ioga e fisioterapeuta quando decidi mergulhar nesse universo até então desconhecido. As próprias dificuldades dos meus alunos passaram a estimular os estudos. Além disso, à medida que você vai conhecendo sua força, desperta a energia de vitalidade e a consciência de que os chakras existem e que são centros de energia que podem estar desalinhados.
//O estudo dos chakras é um trabalho de autoconhecimento que requer coragem, pois você precisará expor a sua sombra para encontrar a luminosidade. Revelar o que há de pior para tentar melhorar. Admitir, por exemplo, que sente inveja de alguém é uma atitude de destemor.Todo mundo tem essa capacidade. Basta saber polir o que está bruto.
//Eu tinha um 'nó' que não estava apenas em um canal de energia. Além dessa busca que precisei fazer, também consegui superar uma mania de justificar todas as minhas ações. Cada atitude que tomava precisava passar pela aceitação das pessoas. Eu me cobrava constantemente e tinha medo de desagradar. Percebi que é impossível agradar a todos. O equilíbrio veio com a prática dos ásanas para ativar os chakras certos. Despertei minha consciência corporal, trabalhei a respiração correta, a entoação dos mantras. Todas essas vivências foram fundamentais para que passasse a ver as coisas de maneira mais sutil."

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//A palavra chakra, em sânscrito, quer dizer "círculo em movimento". No corpo humano, são os centros captadores, armazenadores e distribuidores de energia vital. Cada um está relacionado a um determinado sentido, glândula, sistemas do organismo e plexos nervosos. Pelas manifestações do corpo é detectado o chakra em desequilíbrio. Com um estudo individualizado, compreende- se a origem dos sintomas e bloqueios de energia. Após a percepção da manifestação dos chakras, torna- se mais fácil aplicar qualquer tipo de terapia, como uso de cristais, aromas, práticas de ioga, exercícios respiratórios e entoação de mantras. Outra técnica de cura que também pode ser empregada é a chakraterapia, que promove o realinhamento pela transmissão de energia de uma pessoa sensitiva para outra. Os sete mais importantes são: Muladhara (localizado na base da coluna); Svadhistana (baço); Manipura (umbigo); Anahata (coração); Vishuddha (garganta); Ajna (intercílios) e Sahasrara (alto da cabeça).



Fatores associados ao consumo de álcool e drogas entre estudantes universitários de São Paulo

//O consumo mundial de substâncias psicoativas está aumentando de maneira alarmante, o que representa uma enorme preocupação para o Brasil, já que o envolvimento com drogas ilícitas ocorre principalmente dentro da população de adolescentes e adultos jovens, e o nosso país possui cerca de 35 milhões de pessoas com menos de 30 anos de idade. O abuso e a dependência de drogas interfere não só na saúde das pessoas, mas na sociedade como um todo, incluindo suas instâncias política e econômica, além de contribuir para o crescimento dos gastos com tratamento médico e internação hospitalar, elevando os índices de acidentes de trânsito, violência urbana e de mortes prematuras.
//Artigo publicado pela Revista de Saúde Pública analisou o perfil social e econômico e o estilo de vida dos alunos de graduação da Universidade de São Paulo, da área de ciências biológicas, em relação ao consumo de álcool, tabaco, drogas ilícitas e medicamentos com potencial de abuso. O estudo procurou identificar os grupos de estudantes que estão mais expostos ao problema visando fornecer subsídios para futuras ações preventivas com essa população.
//Para o estudo foram utilizados dados coletados na pesquisa “Álcool e Drogas: Segunda pesquisa sobre atitudes e uso entre alunos de universidade pública do Município de São Paulo”, realizada em 2001, da qual participaram 2.837 alunos matriculados nos cursos de graduação da Universidade de São Paulo.
//Os resultados mostram que o álcool foi a substância mais utilizada nos últimos 12 meses pelos alunos pesquisados (84,7%), seguido do tabaco (22,8%). Quanto ao uso de outras drogas, 28,4% dos alunos já havia utilizado alguma droga ilícita pelo menos uma vez na vida. As substâncias que apresentaram maiores índices de consumo foram: maconha (19,7%), inalantes (17,3%) e os alucinógenos (5,2%). Constatou-se que 10,5% dos alunos usaram medicamentos com potencial de abuso, dos quais as anfetaminas (6,8%) foram as que tiveram maior uso, seguidas por tranqüilizantes (3,2%) e opiáceos (0,6%).
//O estudo mostrou que alunos com renda familiar superior a 40 salários-mínimos mensais apresentaram uso mais freqüente de álcool (92,2%) e outras drogas ilícitas (39,2%) do que alunos com renda familiar mais baixa. Faltar ou não às aulas mostrou-se também relacionado ao uso de álcool, tabaco e outras drogas ilícitas. A proporção de alunos que não faltaram às aulas, ou só faltaram se doentes, foi de 44,8% entre os não usuários de álcool, 34,9% entre não usuários de tabaco e 36,5% entre os não usuários de outras drogas ilícitas, índices superiores aos encontrados entre os alunos que utilizavam estas substâncias. Outro grupo que apresentou maiores riscos para o uso de drogas lícitas e ilícitas foi de alunos não possuíam ou praticavam religião quando comparado aos estudantes com orientação e prática religiosa.
//Os autores sugerem que as ações de conscientização e prevenção ao uso de drogas e suas conseqüências para estudantes universitários devem levar em conta os diferentes graus de vulnerabilidade apresentados pelos alunos. Dentre as iniciativas que têm se mostrado mais eficazes com esta população, os autores recomendam o desenvolvimento de atividades como educação com treino de habilidades para melhor lidar com o estresse, detecção precoce do uso de drogas, disponibilização de informações científicas sobre o tema, programas para professores e a introdução de disciplinas que abordam o uso de álcool e drogas nos cursos de graduação.
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//Texto elaborado pelo OBID a partir do original publicado pela Revista de Saúde Pública, 2006, nº 40 (2), pág 280-288. ISSN 0102 – 311X.
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// Autor: Silva, Leonardo V E Rueda; Malbergier, André; Andrade Stempliuk, Vladimir; Guerra de Andrade, Arthur (Fonte: OBID)
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Link do artigo original
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http://www.scielo.br/pdf/rsp/v40n2/28533.pdf


Cadastro de Terapeutas Comunitários do Maranhão

TURMA 3
TURMA 2
TURMA 1
TURMA 2


(Para visualizar, clique na imagem)



As variadas facetas da maconha

//É relativamente recente (1980) a descoberta e descrição dos receptores canabinóides, ditos CB1 e CB2. A presença está confirmada em mamíferos, aves, peixes e répteis. Os primeiros são encontrados principalmente no cérebro ao nível dos gânglios basais (envolvidos nos movimentos de coordenação do corpo) e no sistema límbico (hipocampo; região responsável pela aprendizagem, memória e resposta ao estresse) mas também no cerebelo e sistemas reprodutivos. Não criam risco de falha respiratória ou cardiovascular pois estão ausentes da medula oblongata, a parte do cérebro responsável por estas funções vitais. Aos receptores CB1 (quando estimulados pelos ligandos, dentre os quais os bioativos da maconha) são atribuídos os efeitos eufórico e anticonvulsivo.
//Já os receptores CB2 são encontrados exclusivamente no sistema imune e com maior densidade no baço. A eles se atribui o efeito anti-inflamatório e outros possíveis efeitos terapêuticos da maconha. Tais receptores são âncoras para um grupo de substâncias designadas de canabinóides e que compõem 3 classes: a) os vegetais, como o THC (9-delta-tetrahidrocannabinol dominante na maconha ou Cannabis); b) os endógenos naturais como anandamida ou araquidonil-etanolamina e araquidonil-2-glicerol (produzidos pelo corpo humano a partir de lipídios poli-insaturados) e c) os sintéticos como a Nabilone (um anti-enjoô produzido pela indústria farmacêutica). Os receptores canabinóides, inseridos na membrana plasmática, estão acoplados a duas importantes entidades protéicas: às proteínas-G (transdutoras de sinais) e à enzima adenilato-ciclase (que biossintetiza o cAMP, um 2.º mensageiro da ação hormonal). Um efeito de base, quando o ligando (e.g., THC) se une ao receptor CB, é a alteração do equilíbrio de íons-chave intracelulares tais como potássio (K+) e cálcio (Ca2+) e seus canais.
//Cannabis (cânhamo-da-Índia e haxixe, termo este mais aplicado à resina obtida do vegetal) é um arbusto dióico (plantas-macho e fêmea individualizadas) da família das Moráceas. A fitoquímica indica que se trata de uma planta assaz complexa com mais de 400 constituintes, mais de meia centena dos quais são canabinóides ou terpenofenóis. Os dominantes são 9-delta-tetrahidrocannabinol (THC), seu análogo propil, cannabidiol, cannabinol, cannabichromeno e cannabigerol. Há quatro subespécies de maconha: Cannabis sativa sativa, C.s. indica, C.s.rasta e C.s.ruderalis. No fígado humano o composto nativo 9-THC é convertido numa forma ainda mais psicoativa, o 11-hidroxi-THC. A tática dos cultivadores é suprimir as árvores-macho o que leva obtenção de plantas-fêmea sem sementes cujo conteúdo em canabinóides é mais elevado (folhas e flores).
//O uso medicinal mais freqüente da maconha é como estimulante do apetite, aliviadora da dor e bloqueadora das náuseas para pacientes terminais de câncer e AIDS. Também aplicada para alívio do glaucoma (pressão intraocular) e certos distúrbios neurológicos como epilepsia, enxaqueca e desordem bipolar. Alguns efeitos colaterais podem acompanhar os efeitos terapêuticos citados acima, tais como, alterações na cognição e memória, euforia, depressão, efeito sedativo e outros. Alguns compostos canabinóides modificados chegam a apresentar um potencial analgésico cerca de 6000 vezes superior ao da morfina Kuntz, M. J.; Pain 1986, 27, 30.
//As preparações farmacêuticas são o dronabinol (Marinol; 9-THC puro e não a panacéia presente na planta), Nabilone ou Cesamet (anti-enjoô liberado na Inglaterra) e Sativex (gotas sublinguais do extrato da planta toda), este lançado no Canadá para o caso específico de esclerose múltipla e já adotado também no Reino Unido e Espanha. Há 11 estados norte-americanos que, via leis, permitem a posse e o consumo de maconha ou seus derivados para fins médicos. Pesquisas também mostram que a Cannabis não causa dependência física (caso da cocaína, heroína, cafeína e nicotina) e que a suspensão do uso não causa síndrome de abstinência (caso do álcool e da heroína). Seu uso prolongado em certas circunstâncias causa dependência psicológica, e pode levar ao consumo de outras drogas. Por se tratar de uma droga psicotrópica e alucinogênica, o uso indiscriminado da maconha é tido como perigoso (Petersen, R. C.; Marijuana Research Findings, Maryland, Department of Health and Human Services, 1980). O uso de bioativos derivados da maconha (seja na forma de drogas sintéticas seja no forma de extratos da planta como tinturas) é objeto de interesse médico e portanto socialmente aceitável para algumas doenças enquanto que o consumo indiscriminado, fumando a erva, é sem dúvida condenável até por conta das centenas de outras substâncias tóxicas (incluído o alcatrão cancerígeno que envenena também como no tabaco).
// O campo de pesquisa com bioativos de Cannabis é uma página em aberto. O Pesquisador brasileiro Yehoshua Maor, operando na Universidade Hebraica de Jerusalém, tem explorado (2006), com sucesso, uma versão quimicamente modificada do cannabigerol (DMH), no controle da hipertensão arterial. Não foi detectado qualquer efeito psicotrópico secundário ou seja, o dito “barato”. Maor teve como orientador de mestrado e doutorado o Prof. Raphael Mechoulam, exatamente o pesquisador que descobriu o THC em Cannabis.
//Maconha é um tema permanentemente polêmico. A imprensa nacional recentemente noticiou que um grupo de personalidades nacionais (o Psiquiatra Dartiu Xavier, o Farmacologista Elisaldo Carlini, a Psicóloga Lídia Aratangy, o Jurista Miguel Reale Jr., o Sociólogo Rubens Adorno e o Antropólogo Edward McRae) deverá apresentar um protesto público contra a visão “demonizadora” da maconha que é apresentada pela Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP. Por outro lado, um relatório do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime - UNODC informa que, pela primeira vez nos últimos 15 anos, e em que pese o aumento do consumo mundial, o número de crianças e jovens brasileiros (estudantes) entre 10 e 18 anos que fumam maconha está em decréscimo: eram 6,4 % (2004) em comparação com os 7,6% de 1997.
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//(José Domingos Fontana - Professor da UFPR)
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/////////////////////////////////////////////////////////Paraná On-line (Fonte: OBID)